GUIGNARD
Hordas
de gafanhotos invadem a plantação
Mastigam,
trituram, consomem freneticamente
Em
pouco tempo revoam sem saciação
Em
busca de outro ambiente
Deixam
para traz apenas destruição.
Lá
no campo à frente
Homens
e mulheres brutos e calejados
Colhem
o que podem rapidamente
Taciturnos
trabalham encapotados
Sob
Sol a pino ardente.
Com
os olhos quase fechados
Bocas
presas
Dentes
cerrados
Mãos
ligeiras
Passos
sossegados
Nem
se incomodam com a nuvem negra
Imensa
nuvem de gafanhotos que no céu se arregimenta.
Parecem
não se importar com nada no mundo
Apenas
a colheita, ali, naquele abrando
Pensamento
automático, quase vagabundo
De
repente, despertados por um interstício ao longe
Ouvindo
a criança chorando
Retornam
abruptos em si: a fome que urge.
E
quando a praga novamente faz estrago
Homens
e mulheres de feitio rude nem se abalam
Às
suas humildes moradias retornam
Carregando
tudo que puderam colher
Combinando
na próxima estação
Estratégias
melhores de semeação
Se Deus assim quiser
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