O SENTIDO DA VIDA

NELSON FÉLIX


Uma especial amiga contribui com este site mandando suas poesias, memórias e reflexões. Estas importantes palavras originam-se da alma desta anônima escritora que nos recônditos da sua experiência deixa uma mensagem para refletir. O nome desta autora é: ANA ORNELAS.
Boa leitura.

Após ouvir a palestra de Liszt Rangel, baseado no livro “Um sentido para a Vida” de Viktor E. Frankl e pensando em tudo que tenho escrito nestes longos anos, senti vontade de escrever, senti vontade de sentir o prazer que sinto ao escrever.

A vida desde que nasci, a vida tinha sentido...sentido de aprender, rir, chorar...sentido de esperar o futuro.

De repente, os anos vão passando, tudo deixou de ter sentido. Cada vez que conseguia achar hum sentido, logo, logo aquilo perdia o sentido. Parece que quando se alcança aquilo perde o sentido ou deixa de ter o peso necessário para fazer sentido.

É a escalada da montanha. Talvez, penso agora é a busca incessante pelo topo, pelo fim da caminhada, é a libertação inconsciente do espírito. Não é a mera vontade de ser, de ter, é o SENTIDO DA VIDA, a libertação do espírito neste corpo carnal, é a morte.

Mas para chegar a esta conclusão que chego neste exato momento tenho me debatido, me cobrado, procurando então vários tipos de ajuda, vários tipos de sentido. Palestras, curas, distração, família...nada mais me faz voltar ao passado quando o meu espírito recém-nascido tinha ilusão que eu poderia ser diferente, que eu poderia ser feliz, que eu poderia fazer meu mundo feliz.

Mas cheguei hoje a conclusão que não existe meu mundo. Existe O MUNDO. Comecei a conviver mas não querendo aceitar – a vida não tem sentido. Não sinto pessimismo, mágoa ou qualquer sentimento negativo em relação a mim ou em relação a ninguém.

SINTO MÁGOA EM RELAÇÃO A VIDA.

Essa mágoa em relação a vida é algo muito abrangente, é a somatória de todas as janelas e portas que consegui ou não abrir. Somando todas as buscas realizadas ou não, juntei tudo...carrego meu fardo, um ser bem popular carrego minha cruz. Ai é que ao meu ver surgem as doenças físicas e emocionais.

A NÃO ACEITAÇÃO do inevitável: A ACEITAÇÃO.

Penso agora neste momento, Jesus carregou sua cruz – caia, levantava, apanhava, sangrava, subiu ao Golgota. É esse o nome? Não lembro quem enxugou seu rosto, teve alguém que lhe deu água? Não lembro. Resumindo, tantas pessoas assistiram seu sofrimento...Jesus sofreu calado, sem queixas, sem querer escapara para lá ou para cá. Aceitou seu destino, subiu simplesmente devagar....chegou ao topo...morreu aos 33 anos.

Não em termo de comparação entre nós e ele, mas comparando não querendo comparar...Jesus nasceu, viveu sua vida de criança, cresceu, foi se afastando dos pais, saiu pelo mundo, fez isso, fez aquilo, fez muitos amigos, inconscientemente acho deve ter feito inimigos. 

Jesus deu seu exemplo de vida mas...em certo momento se submeteu ao SENTIDO DA VIDA. Cada ser humano com o seu sentido de vida. Ele compreendeu seu destino, ele se submeteu a vida. Foi subindo, foi caindo, foi levantando, foi caindo, apanhando, viveu cada momento consigo mesmo, foi escalando. Viveu aquele momento em paz.

Acho que apesar de aos nossos olhos ter sido um sofrimento imenso ele não sentia dor, tristeza, mágoa, questionamentos...

Ele viveu o momento como se fosse o único. Em paz. Chegou ao topo...

Frase ouvida no Centro: “A fé não remove montanha, a fé nos faz chegar ao topo.”

18/09/2017 – escrevi das 10:30h ao meio dia.
Ana Ornelas